sábado, 12 de fevereiro de 2011

A INFLUÊNCIA DOS PROTESTANTES SOBRE O CONCÍLIO VATICANO II



Com tamanha presença de protestantes no Concílio – presenças direta e indireta – como espantar-se da influência sobre o Concílio e seus documentos? Citemos-lhe alguns para fundamentar a afirmação:

1. O decreto “Sacrosanctum Concilium” sobre liturgia

Já no artigo 5, encontramos a noção de mistério pascal, que põe a tônica da Redenção na Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e arrefece a realidade do sacrifício expiatório da liturgia.
No artigo 6, mencionam o mistério pascal duas vezes.
No artigo 7, equiparam a presença do Cristo na Santa Missa e na substância transubstanciada com a presença no ministro da ação litúrgica, na virtude dos sacramentos, na palavra, ou com a presença que há onde duas ou três pessoas estiverem reunidas em seu nome. Uma tal ordem de coisas é um empréstimo manifesto dos protestantes.

No artigo 22, há clara descentralização da competência, em matéria litúrgica: a partir de agora é o bispo local, e sobretudo a conferência episcopal as estâncias decisórias.
Nos artigos 24 e 51, fala-se da grande importância da Santa Escritura na liturgia.
Convida o artigo 34 à reforma dos ritos para que observem o esplendor em nobre simplicidade, e sejam limpos de repetições. Vemos aqui claramente a influência racionalista e antiliturgista – já que a liturgia vive de repetições, como vemos por exemplo nos ritos da Igreja do Oriente, nas ladainhas e no rosário.
Os de número 36 e 54 versam da introdução da língua vernacular na liturgia, sem dar os precisos limites para ela na Santa Missa.
No artigo 37, distinguimos já a inculturação e a presumida unidade na pluralidade litúrgica, logo um distanciamento da verdadeira unidade da Igreja e antes de tudo do espírito romano.
O artigo 47 não se vale, na designação do Santo Sacrifício da Missa, nem da noção de “representatio” do Concílio de Trento, nem da de “renovação” dos últimos Papas, mas antes de uma “duração”. Em linguagem ecumênica, o sacrifício e o sacramento são nomeados como um só.
Sugere o artigo 55 dar em certas ocasiões a Eucaristia sob as duas espécies, à moda dos protestantes.
O artigo 81 exige a supressão do sombrio pensamento acerca da morte, em favor de outras cores litúrgicas diferentes do negro. Ora, uma orientação que tal vai ao encontro do aplauso dos protestantes, que não conhecem nem purgatório, nem oração dos defuntos.

Num lanço d’olhos sobre tal esquema, constata-se o espírito racionalista, antilitúrgico e anti-romano, em tudo de mentalidade protestante.

2. A constituição dogmática sobre a Igreja “Lumen Gentium”


Para começar, diz o artigo 8 que a Igreja do Cristo “subsiste na Igreja Católica”, expressão nefasta e prenhe de conseqüências. Ora, é um pastor protestante, Schmitt, que propusera substituir o est de identificação entre a Igreja do Cristo e a Igreja Católica pela expressão relativista subsistit in.
No capítulo 2, artigos 4 a 16, fala-se, antes do mais, da Igreja enquanto povo de Deus, e tão-só no terceiro capítulo se fala da hierarquia, como se ela fosse o fruto da comunidade e um serviço para ela
No artigo 10, deduz-se do sacerdócio do Cristo o sacerdócio comum dos batizados, e apenas depois o sacerdócio ministerial.
No artigo 21, o sacramento da Ordem se não concebe desde o Santo Sacrifício da Missa, mas da prédica e da administração dos sacramentos.
O pior atentado contra o primado papal aparece no artigo 22, com a afirmação da dupla autoridade da Igreja: dum lado Pedro, doutro o colégio dos bispos com e sob Pedro. Felizmente, corrigiram este erro gravíssimo na “nota prævia explicativa” acrescentada ao texto mesmo do Concílio, mas nem o novo direito canônico, nem o catecismo da Igreja Católica e seu Compendium repisaram a nota.
Concede o artigo 26 o diaconato permanente a homens casados. Fendeu-se pois o bastião do celibato eclesiástico, que nos distingue visivelmente dos protestantes.
O inteiro teor do quarto capítulo, i. é, os artigos 30 a 38, versa dos laicos antes de mencionar os religiosos, de que tratam apenas no quinto capítulo. O protestantismo detesta a vida consagrada, em particular a vida contemplativa.


Aceitou o Concílio as graves restrições de Karl Rahner e dos senhores Ratzinger, Grillmeier e Semmelroth contra um esquema próprio sobre a Santíssima Virgem. As explicações acerca da Santíssima Virgem encontram-se agora no capítulo 8 da constituição sobre a Igreja, onde omite-se deliberadamente o título de “co-redentora”; não reconheceram ainda à Santíssima Virgem o de ‘mediadora”, cuja utilização apenas se menciona.

3. O decreto sobre o exumenismo “Unitatis redintegratio”.

A princípio, notemos que a noção de ecumenismo vem do protestantismo, em que se observa esforços ecumênicos já no séc. XIX para remediar sua dilaceração insolúvel.
Diz o artigo 3 que as comunidades separadas da Igreja Católica não estão em comunhão plena com a Igreja, mas intentam mesmo assim que exista uma como continuidade de comunhão, pois que os fiéis se justificam no batismo, incorporando-se ao Cristo. Por isso, diz o decreto, reconhecem-nos a justo título como irmãos no Senhor. Cabe a cada qual uma parcela de culpa na separação. A afirmação de que pertencem de jure à Igreja Católica os elementos de santificação nestas comunidades é uma melhoria inserida pelo Papa pouco antes da publicação do decreto.
No parágrafo 4º, diz-se que estas comunidades, enquanto tais, são meios de salvação, significando isso duas coisas:

1) elas são importantes para a salvação de seus membros;
2) em geral, possuem uma função soteriológico-histórica.

Essas afirmações relativistas estão entre as piores do Concílio como um todo.

No artigo 4 estatui-se que o trabalho ecumênico não se relaciona com o favorecimento das conversões individuais; encontra-se afirmação semelhante na Constituição sobre a Igreja, artigo 9, finis. Substituem assim a missão que legou Jesus Cristo pelo esforço de coexistência pacifica entre todas as denominações e religiões, à moda protestante.
O artigo 7 revela-nos que não há ecumenismo verdadeiro sem conversão interior, desta feita mistura-se ortodoxia e ortopraxia, o lado objetivo e o subjetivo.
O artigo 8 não só permite a oração em comum com os “irmãos separados”, mas a recomenda explicitamente, como testemunho qualificado dos laços existentes.
Exige o artigo 10 o ensinamento da teologia sob o ângulo ecumênico, em particular no que tange à história. Deste modo, a teologia controversista e apologética contra o protestantismo está condenada à morte.
No artigo 11 depara-se com a afirmação nefasta da hierarquia das verdades. É forçoso sublinhar que esta expressão ambígua clarificou-se em 1973, por obra do Santo Ofício, em sentido católico. Não quer ela dizer que uma verdade é mais importante que outra, mas que uma é base da outra.
Apesar de no artigo 21 apresentarem a Santa Escritura como instrumento excelente para o diálogo, há de se perguntar de que modo se deve conduzir este diálogo com os subjetivistas protestantes, em que cada um é seu próprio magistério. Demais, neste artigo conferiram ao magistério autêntico um papel restrito, não constituindo mais a norma para o cânon e a interpretação da Santa Escritura.
No artigo 22 atribui-se à ceia protestante, não obstante a ausência do sacramento da Ordem, um certo valor positivo.
É de se notar também que não tratam da questão dos casamentos mistos, deixando de ensinar aos católicos que tais matrimônios só se contraem perante um padre católico, que devem batizar os filhos na Igreja Católica e educá-los nesta fé.

4. A constituição dogmática sobre a Revelação Divina “Dei Verbum”

Esta constituição abandona a doutrina católica das duas fontes da Revelação, para aproximar-se do sola scriptura dos protestantes. Apresentam-nos de imediato no capítulo 1 a Revelação não mais como comunicação das verdades sobre Deus e suas intenções salvíficas, mas como auto-comunicação de Deus; nisto põem em evidência a passagem da perspectiva objetiva à perspectiva subjetiva.
No artigo 5, descrevem a fé como encontro pessoal com Deus, e dom do homem para com Ele; não se deveria mais considerar a tradição como complemento quantitativo e material da Escritura. Ela teria apenas uma dupla função de reconhecimento do teor do cânon e certidão da revelação. De modo ambíguo, não apresentam o magistério abaixo da palavra de Deus, senão que a seu serviço.
Reconhece-se fortemente no artigo 12 a exegese moderna com sua “Formengeschichte”, embebida no espírito protestante de Bultmann. Não mais se atribui à Santa Escritura a inerrância, mas só dizem que ela ensina a verdade.
O artigo 19 fala que os Evangelhos oferecem o veraz e o sincero – no texto originam, acrecentaram: “alimentados pela força criativa da comunidade primitiva”, suprimido após o protesto de muitos dos Padres do Concílio. Na 2ª frase deste artigo, assume o Concílio sem meias palavras a exegese moderna: os apóstolos pregavam uma compreensão mais plena do Cristo, os redatores dos Evangelhos “redigiram” o material desta prédica, i. é., material que eles selecionaram, resumiram e atualizaram.
No artigo 22, encorajam-se as traduções ecumênicas da Bíblia, traduções estas que, de fato, são as utilizadas hoje em dia. Todavia, há mister de se perguntar como, em textos que tais, se formula e comenta a Anunciação de Maria; o mesmo vale para os irmãos de Jesus, e para Mateus 16, 184.

(...)
9. A declaração sobre a liberdade religiosa “Dignitatis humanae”

Foi de grande interesse para os protestantes esta declaração, e isto sob duplo aspecto, enquanto princípio e fato:

a) enquanto princípio, substitui a ordem objetiva pela livre consciência;
b) enquanto fato, abole os Estados Católicos, que serviam de entrave à penetração das seitas protestantes. Assim, vê-se o Conselho Mundial Ecumênico das Igrejas Protestantes, em Genebra, dirigir-se à presidência do Concílio, em setembro de 1965, pouco antes da quarta e última sessão, para pedir com instância a proclamação da liberdade religiosa, o que se deu a 7 de setembro de 1965

IV. APRECIAÇÃO SOBRE A ATUAL SITUAÇÃO DA IGREJA

Uma influência tão maciça do protestantismo no Concílio só poderia resultar numa Igreja protestantizada.

1. A estrutura da Igreja

a) O poder central de Roma diminui consideravelmente, em favor das Conferências Episcopais, que cada vez mais se constituem em igrejas nacionais. O duplo poder da Igreja – por um lado o Papa, por outro os colégios de bispos com o Papa, como se depara na Lumen Gentium e na nota prævia explicativa, nota esta que evita o pior – reaparece nos cânones 336 (direito romano 1983), no Catecismo da Igreja Católica, nº 883, e no novo Compendium, questão nº 183.

Na encíclica Ut unum sit, de 25 de maio de 1995, o Papa João Paulo II diz o seguinte:

“ [...] O Espírito Santo nos dê a sua luz, e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este ministério possa realizar um serviço de amor, reconhecido por uns e por outros” 5. (DC 18 de junho de 1995 n° 2118, p. 593 § 95)

b) Por onde se verifique a democratização ad Igreja, a começar nas paróquias, pelos conselhos paroquiais, nas dioceses, e até nos sínodos de bispos em Roma. Existe, de feto, uma hierarquia paralela.

c) É obvio que os inovadores desprezam o monaquismo. Nos Estados Unidos, a vida religiosa está em vias de desaparecer completamente. A vida consagrada se encontra, onde ainda ela existe, distentida no exercício das obras sociais. Nas orações festivas dos fundadores das Ordens, no Novo Ordo, faz-se silêncio sistemático da glória do fundador e da graça da fundação.

2. A fé

a) Hoje em dia, a fé na unidade e no caráter absoluto da Igreja está, até entre católicos, posta em xeque ou negada.
b) Introduziu-se um subjetivismo malicioso, não apenas na consciência geral, mas até nas dos católicos. O cardeal Ratzinger, na homilia de abertura do conclave, a 18 de abril, falou da “tirania do relativismo”. Ora, o ecumenismo é justamente o relativismo religioso.
c) Caso todos os fiéis, pela graça do batismo, estejam unidos entre si, duma vez por todas, como afirma o Papa João Paulo II, então a graça é inalienável, o que equivale à uma heresia. Ora, encontramos hoje na Igreja tal otimismo salvífico, que esquece totalmente o julgamento de Deus e a possibilidade de danação.
d) Na declaração comum sobre a justificação, de 31 de outubro de 1999, pretende-se que o homem seja pecador e santo ao mesmo tempo. Só há como fundamentar tal concepção na noção protestante da justificação.
e) Certos membros da hierarquia sentem falta dum espírito de secularização. Não foi Lutero o primeiro representante deste espírito? por exemplo, no axioma: “o casamento é um fato puramente secular”.
f) Mais importa a veracidade, a sinceridade, que a verdade. Há pois uma passagem da ordem ontológica à ordem moral. O cânone 844 do novo direito canônico é um reflexo disso: para conferir os sacramentos da Penitência, Extrema-Unção, Eucaristia a não-católicos, basta a crença nestes sacramentos. Como a Penitência e a Extrema-Unção não interessam aos protestantes, basta-lhes acreditar na presença real para comungar conosco. Não se exige mais a fé de adesão à toda a Revelação, mas apenas a sinceridade duma fé subjetiva.
g) A harmonia entre a graça e a natureza por todo lado está corrompida, assim como a identidade entre Jesus de Nazaré e o Cristo da Fé. O protestantismo, sempre a oscilar entre o racionalismo e o fideísmo, nega – mormente seus teólogos – a divindade do Cristo. Para os fideístas, a religião não passa de sentimento que se diversifica em mil tipos de pentencostalismos. Nesta mesma ordem, o bem comum dá lugar à auto-realização.
h) Em espiritualidade, há um distanciamento notável do espírito de sacrifício, de penitência e de oração.
i) A devoção à Santíssima Virgem e os Santos está quase que completamente enquadrada do espírito moderno.

3. O culto

As três realidades ontologicamente ligadas entre si, a saber, o altar, o Sacrifício e o pader, são substituídas por três outras realidades também ligadas entre si: a mesa, a refeição, o presidente.
A primeira versão da definição da missa, no Novus Ordo Missae, definição em tudo protestante, encontra-se exatamente na mesma linha do nº 7 da Constituição sobre a Liturgia Sacrosanctum Conclilium. Na nova liturgia, fala-se muito, mas os aspectos da oração, do sacrifício e do culto diminuíram deveras.

CONCLUSÃO

Segundo a enciclopédia do ano 2000, há atualmente no mundo 33.820 denominações protestantes diferentes. No fundo, teria de dizer que existem tantas denominações quantos protestantes, pois que cada qual é seu próprio magistério e pastor. Com o Concílio, e após ele, assumiu a Igreja de tal forma os postulados protestantes que ela mesma está quase a tomar o caminho da autodissolução. Que o Senhor da Igreja faça-nos a graça duma reforma rápida e enérgica, uma reforma in capite membris, conforme o exemplo do Concílio de Trento.
Dizia há pouco um prelado da Cúria Romana que deste Concílio só uma coisa restava: uma grande confusão. O cardeal Stickler dizia-se que um dia seriam obrigados a fazer uma revisão do Concílio, e nossa Fraternidade poderia contribuir nela. Estes simpósios, organizados aqui em Paris, são uma magnífica ocasião de pôr mãos à obra.

Tradução: Permanência

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Contra Fatos não há argumentos! - Padre Nicholas Gruner


Contra factos
não há argumentos

Não há argumentos contra um facto: a “renovação” da Igreja depois do Vaticano II é um fracasso catastrófico. Em vez de uma “renovação,” o que vemos é uma tentativa de impor à Igreja uma religião inteiramente nova em vez da que nos foi transmitida pelos sucessores dos Apóstolos durante quase 2.000 anos.

Graças ao “ecumenismo,” “diálogo,” “diálogo inter-religioso,” e, claro está, a Nova Missa, o estado exterior da Igreja de hoje é tal que os grandes Papas de antes do Concílio nem sequer reconheceriam uma paróquia católica típica como sendo efectivamente católica.

Neste ponto também, o Cardeal Ratzinger admitiu a verdade, porque escreveu o prefácio em francês de um livro de Monsenhor Klaus Gamber, A reforma da Liturgia Romana, em que o Monsenhor faz esta espantosa (e muito verdadeira) observação sobre o estado actual da Igreja:

Um Católico que deixou de ser um membro activo da Igreja na última geração e que, tendo decidido voltar à Igreja, quer ser novamente activo religiosamente, provavelmente não reconheceria a Igreja de hoje como sendo aquela de que se afastara. Bastar-lhe-ia entrar numa igreja católica, especialmente se fosse de desenho ultramoderno, para se sentir como se tivesse entrado num lugar estranho e desconhecido. Pensaria que devia ter ido para um endereço errado e que tinha entrado por engano numa outra comunidade religiosa cristã.
Não! Não se pode argumentar contra um facto. Não importa o que certas autoridades possam dizer contra isso; a revolução na Igreja Católica desde o Vaticano II implicou, como todas as revoluções, um afastamento e uma rejeição do passado — neste caso, das próprias tradições da nossa Fé.

E não interessa o que algumas “autoridades” dizem; a Igreja está em crise porque os pedidos de Fátima não foram obedecidos. Não foram obedecidos porque a Consagração da Rússia não foi feita, apesar da cerimónia de 1984, em que a Rússia nunca foi mencionada. As “autoridades” podem papaguear quanto quiserem sobre o “milagre” na Rússia; no mundo real, podemos ver que, desde 1984, a Rússia tornou-se uma ditadura neo-Stalinista, inquinada pelos abortos e aliada à China Vermelha. Hoje, na Rússia, a Igreja Católica sofre uma perseguição tão severa que até o Vaticano protestou energicamente, dizendo que “faz lembrar as práticas lamentáveis da era soviética.”

Desorientação diabólica

O facto de até as mais altas autoridades da Igreja terem aprovado a calamidade dos últimos 40 anos não é razão para fazer como eles. Devemos lembrar-nos de que não é a primeira vez na história da Igreja que os seus dirigentes sucumbiram ao que a Irmã Lúcia chamou, e com muita razão, “desorientação diabólica.”

Podemos mesmo reconhecer a nossa situação actial na descrição que o Cardeal Newman fez da crise ariana no Século IV, quando quase todos os Bispos aceitaram a  heresia que ensinava falsamente que Cristo não é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ou se prestaram a segui-la:

O corpo dos Bispos falhou na sua confissão da Fé ... Falaram variadamente, uns contra os outros; não houve nada, depois [do Concílio de] Niceia [325 D.C.], de testemunho firme, imutável e consistented, durante quase sessenta anos. Houve Concílios não fiáveis, Bispos infiéis; houve fraqueza, medo das consequências, desvios, ilusões, alucinações, sem fim, sem esperança, estrendendo-se a quase todos os cantos da Igreja Católica. Os relativamente poucos que se mantiveram fiéis foram desacreditados e obrigados a exilar-se; os restantes ou enganaram ou foram enganados.

Note-se a frase de Newman: “Os relativamente poucos que se mantiveram fiéis foram desacreditados e obrigados a exilar-se …” Não é precisamente isso que vemos hoje, quando há relativamente poucos que se mantêm fiéis perante os “enganadores e enganados” do nosso tempo, assanhados contra o chamado “Catolicismo pré-Vaticano II”?

Não vemos nós que The Fatima Centre e os padres firmemente tradicionais em toda a Igreja, incluindo eu próprio, são perseguidos e exilados por Bispos liberais, e até por certos elementos da burocracia do Vaticano, enquanto que os “enganadores e enganados” se apresentam como possuidores e guardiões da religião “verdadeira”? Tal como no tempo de Ário, quando Santo Atanásio, que chefiou a oposição ao arianismo, foi exilado cinco vezes pelos seus “irmãos no Episcopado” e foi “excomungado” por uma sentença “confirmada” pelo Papa Libério:

E assim vemos hoje padres de doutrina sólida, castos e militantes, que são declarados “excomungados” ou “suspensos” por delitos não-existentes, ao mesmo tempo que os que procuram destruir a Igreja são amimados, louvados e até promovidos a altos cargos.

Assim, dizem a algumas pessoas que eu estou “suspenso” por um delito que nem sequer especificam — porque não foi cometido nenhum delito. Além das declarações públicas contra mim, há uma campanha discreta de boatos em que circulam cartas deste ou daquele padre ou Bispo local, repetindo as mesmas mentiras, como se tivessem algum grande peso de autoridade, quando, na verdade, apenas se baseiam em preconceitos irracionais.

Faz-nos lembrar um comentário do Prof. Philip Davidson, no seu estudo monumental sobre o uso da propaganda na Revolução Americana: a maneira mais eficaz de atacar a ordem estabelecida e justificar a rebelião não é “razão, ou justiça, ou até mesmo interesse, mas ódio. Um ódio irracional, uma repulsa cega, é criada não contra políticas, mas contra pessoas.”