quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Contra Fatos não há argumentos! - Padre Nicholas Gruner


Contra factos
não há argumentos

Não há argumentos contra um facto: a “renovação” da Igreja depois do Vaticano II é um fracasso catastrófico. Em vez de uma “renovação,” o que vemos é uma tentativa de impor à Igreja uma religião inteiramente nova em vez da que nos foi transmitida pelos sucessores dos Apóstolos durante quase 2.000 anos.

Graças ao “ecumenismo,” “diálogo,” “diálogo inter-religioso,” e, claro está, a Nova Missa, o estado exterior da Igreja de hoje é tal que os grandes Papas de antes do Concílio nem sequer reconheceriam uma paróquia católica típica como sendo efectivamente católica.

Neste ponto também, o Cardeal Ratzinger admitiu a verdade, porque escreveu o prefácio em francês de um livro de Monsenhor Klaus Gamber, A reforma da Liturgia Romana, em que o Monsenhor faz esta espantosa (e muito verdadeira) observação sobre o estado actual da Igreja:

Um Católico que deixou de ser um membro activo da Igreja na última geração e que, tendo decidido voltar à Igreja, quer ser novamente activo religiosamente, provavelmente não reconheceria a Igreja de hoje como sendo aquela de que se afastara. Bastar-lhe-ia entrar numa igreja católica, especialmente se fosse de desenho ultramoderno, para se sentir como se tivesse entrado num lugar estranho e desconhecido. Pensaria que devia ter ido para um endereço errado e que tinha entrado por engano numa outra comunidade religiosa cristã.
Não! Não se pode argumentar contra um facto. Não importa o que certas autoridades possam dizer contra isso; a revolução na Igreja Católica desde o Vaticano II implicou, como todas as revoluções, um afastamento e uma rejeição do passado — neste caso, das próprias tradições da nossa Fé.

E não interessa o que algumas “autoridades” dizem; a Igreja está em crise porque os pedidos de Fátima não foram obedecidos. Não foram obedecidos porque a Consagração da Rússia não foi feita, apesar da cerimónia de 1984, em que a Rússia nunca foi mencionada. As “autoridades” podem papaguear quanto quiserem sobre o “milagre” na Rússia; no mundo real, podemos ver que, desde 1984, a Rússia tornou-se uma ditadura neo-Stalinista, inquinada pelos abortos e aliada à China Vermelha. Hoje, na Rússia, a Igreja Católica sofre uma perseguição tão severa que até o Vaticano protestou energicamente, dizendo que “faz lembrar as práticas lamentáveis da era soviética.”

Desorientação diabólica

O facto de até as mais altas autoridades da Igreja terem aprovado a calamidade dos últimos 40 anos não é razão para fazer como eles. Devemos lembrar-nos de que não é a primeira vez na história da Igreja que os seus dirigentes sucumbiram ao que a Irmã Lúcia chamou, e com muita razão, “desorientação diabólica.”

Podemos mesmo reconhecer a nossa situação actial na descrição que o Cardeal Newman fez da crise ariana no Século IV, quando quase todos os Bispos aceitaram a  heresia que ensinava falsamente que Cristo não é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, ou se prestaram a segui-la:

O corpo dos Bispos falhou na sua confissão da Fé ... Falaram variadamente, uns contra os outros; não houve nada, depois [do Concílio de] Niceia [325 D.C.], de testemunho firme, imutável e consistented, durante quase sessenta anos. Houve Concílios não fiáveis, Bispos infiéis; houve fraqueza, medo das consequências, desvios, ilusões, alucinações, sem fim, sem esperança, estrendendo-se a quase todos os cantos da Igreja Católica. Os relativamente poucos que se mantiveram fiéis foram desacreditados e obrigados a exilar-se; os restantes ou enganaram ou foram enganados.

Note-se a frase de Newman: “Os relativamente poucos que se mantiveram fiéis foram desacreditados e obrigados a exilar-se …” Não é precisamente isso que vemos hoje, quando há relativamente poucos que se mantêm fiéis perante os “enganadores e enganados” do nosso tempo, assanhados contra o chamado “Catolicismo pré-Vaticano II”?

Não vemos nós que The Fatima Centre e os padres firmemente tradicionais em toda a Igreja, incluindo eu próprio, são perseguidos e exilados por Bispos liberais, e até por certos elementos da burocracia do Vaticano, enquanto que os “enganadores e enganados” se apresentam como possuidores e guardiões da religião “verdadeira”? Tal como no tempo de Ário, quando Santo Atanásio, que chefiou a oposição ao arianismo, foi exilado cinco vezes pelos seus “irmãos no Episcopado” e foi “excomungado” por uma sentença “confirmada” pelo Papa Libério:

E assim vemos hoje padres de doutrina sólida, castos e militantes, que são declarados “excomungados” ou “suspensos” por delitos não-existentes, ao mesmo tempo que os que procuram destruir a Igreja são amimados, louvados e até promovidos a altos cargos.

Assim, dizem a algumas pessoas que eu estou “suspenso” por um delito que nem sequer especificam — porque não foi cometido nenhum delito. Além das declarações públicas contra mim, há uma campanha discreta de boatos em que circulam cartas deste ou daquele padre ou Bispo local, repetindo as mesmas mentiras, como se tivessem algum grande peso de autoridade, quando, na verdade, apenas se baseiam em preconceitos irracionais.

Faz-nos lembrar um comentário do Prof. Philip Davidson, no seu estudo monumental sobre o uso da propaganda na Revolução Americana: a maneira mais eficaz de atacar a ordem estabelecida e justificar a rebelião não é “razão, ou justiça, ou até mesmo interesse, mas ódio. Um ódio irracional, uma repulsa cega, é criada não contra políticas, mas contra pessoas.”

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